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As escritas




Poética do real, no cotidiano luso-fusco destes ensaios ritualísticos do olhar, permeados de proporções exageradas das emoções - retratando as horas - onde tudo pulsa e oscila mais verdadeiro, desta vida submersa e expontânea, ligando os fios entrelaçados de memórias.
Saborear do vento a sua aragem fresca, comer da maça o seu pecado, das águas a suas purificações matinais. Ser onde divinos nos encontramos na corda bamba. Convenço-me de que aquilo em que resolvo não pensar não existe, em homenagem ao não ser, onde sinto que minhas mudanças somam-se a esta transformação, porque nunca a mesma de ontem.

Confronto e decisão, como ter os passos apressados, Deus, enfim, acalma nossos temores. Somos seres do futuro, nesta insuportável perspectiva de construir projetos, enfrentamos a si mesmos em tudo. Não escolhemos a via mais fácil. Essa consciência do absurdo em abraçar o universo, sendo ele que nos abraça. Sentir-se feliz, é desejar ou não desejar? esse frenesi de listas para serem cumpridas, carregadas de adereços.


Amo esse frescor de urgência azul de manhã ensolarada, onde percebo que não fiz muita coisa, mas que fora do tempo, ergo meus olhos e amo a vida. sempre novo, cheios de outos tempos. Quero ser como uma velha camponesa, que vai adiante, sempre e sempe, arqueando sobre a terra, colhendo gravetos. Tudo está no coração.





Deus é perfeito, dizem as doutrinas religiosas, mas prefiro acreditar que ele, como nós, nos ame apesar das nossas mortais imperfeições humanas. Acredito no polimento da alma. Pensar que não podemos mudar é um pecado.
O enigmático do ser são essas atrações extras e infinitas, que vão tecendo nossas diferenças, dentro deste oceano de surpresas que é viver. Onde multiplicadas combinações de nossos ciclos se refazem como grama que cresce sem se ver. Quero dizer amém a todas as coisas realizadas e as por fazer ,que me direcionam ao infinito. Sou gananciosa, e quero sempre mais, acredito nesta imperfeição, e que apesar de meus inúmeros erros, eu possa chegar, onde o desejo me leve.















Não penso em fugir de mim mesma. Está tudo aqui. O tempo carregado de


exigências. Vou ao menos limpando suas arestas, ajeitando os ármarios, sorvendo o pó acumulado, e graças as mudanças, jogando fora o que já não serve. Entregando ao lixo os velhos esquemas.


A salvação da alma está em libertar-se, de todos esses acúmulos e exageros que um dia achamos inúteis. Alivio-me com essa possibilidade. Só quero guardar o que amo, o que lateja de vida. Meias velhas oxidam sem uso, e as páginas de livros com traças vorazes, administro agora essa possibilidade de ir em frente, com menos apetrechos, e quem sabe mais feliz.






texto e colagem: JU Gioli

4 comentários:

Gaspar de Jesus disse...

JURACY
Obrigado pelas suas postagens
Todos os dias ao vir aqui tomo o meu banho de cultura.
LINDO!
Bjs
G.J.

Graça Pires disse...

Obrigada pela visita e pelas palavras deixadas no meu "Ortografia". Virei aqui mais vezes. Um abraço.

Adriana Riess Karnal disse...

o diálogo com a imagem é tocante!

cristinasiqueira disse...

Adorei a leitura de As escritas.
No momento ouvia blues e tudo ficou perfeito.
Quando pinço algo que deleita fico assim parada com o pensamento quae que vazio.Depois escrevo.
E Deus ...uma palavra e outra e outra em escrita que seduz.

Até mais,

Cris